A saia da Carolina
O blog onde ela diz coisas...

05 Maio 2009

Tal como as palavras repetidas vezes sem conta, alto e bom som, deixam de fazer sentido tão rapidamente, também os pensamentos perdem a lógica quando os pensamos vezes de mais. Quebra-se o fio que os liga à realidade, ganham proporções gigantescas e deixam de ser verdade para passarem a fantasias de uma mente matreira que já não distingue o que é daquilo que foi. E a ideia crescida ganha terreno, invade recantos do espírito e desassossega corpo e alma, como se outra verdade não houvesse, senão aquela que foi tão pensada.

Por vezes os meus pensamentos vencem-me. Caio pela sua força e deixo de saber no que posso acreditar. Desta vez só quero que tudo seja diferente.


21 Março 2009

Momentos perfeitos não se planeiam: acontecem. E a harmonia surge do nada, quando menos se espera, quando não há expectativas maiores do que a probabilidade de algo acontecer.

Em tempos ela fez planos; programou muita coisa com uma antecedência absurda, sonhou demasiado longe da realidade e ansiou que algo acontecesse só porque assim desejava. Aperceber-se da distância a que estava dos seus devaneios foi mais doloroso que qualquer queda, foi mais bruto que qualquer grito, mas um dia aconteceu. Não pode evitar nada; fugiu tudo do seu controlo, correu tudo ao contrário do imaginado e sobrou só ela: sem mais planos e sem vontade de sonhar o que quer que fosse.

Só ela, sem bagagem, seguiu em frente: dia após dia. Esperou pouco, sonhou pouco e sentiu muito menos. Sentiu-se cada vez mais cheia de si e tão vazia de tudo o resto… À distância de algum tempo ficaram no chão os pedaços de todos os planos que outrora fizera; não quis lembrar-se deles, quis só ter novos motivos para acreditar; quis acreditar em qualquer coisa.

Coração ao alto, emoções no mínimo, deixou-se levar pelo resto do tempo: sem pensar. Não esperava nada, simplesmente vivia e, sem dar nada em troca, não se importou de nada receber. Mas nem tudo segue um plano e, fora de qualquer projecto arquitectado sobre infindáveis sonhos, surgiu quem a fizesse voltar a sentir… Porque a perfeição não se planeia: vive-se. Sente-se.

 

 


12 Março 2009

Já estive aqui antes e, das outras vezes, fugi sempre. Chegava exactamente ao mesmo ponto e quando davam conta, quando perguntavam por mim, eu já não estava. Das outras vezes senti-me como uma estranha, num lugar que não era o meu e que não me queria como sua e por isso nunca fiquei.

Agora, neste lugar que já conheço, nada parece igual: nem eu.

Já estive aqui antes e, pela primeira vez, quero ficar.

 

 

 


06 Fevereiro 2009

Os pingos grossos de chuva escorriam-lhe pela cara e ensopavam-lhe a roupa que se colava à pele, mas não parecia importar-se. Ignorava o frio; parecia que se tinha já habituado a ele e por isso não tremia nem tinha a pele arrepiada; não se mexia, mantinha-se no mesmo sítio por mais força que a chuva mostrasse. O rio ia fazendo ondas que batiam no cais com uma força estranhamente calma e o barulho que fazia... o barulho acalmava-lhe a alma.

Durante demasiado tempo procurou nas pessoas a paz de espírito e a segurança que tanta falta lhe faziam e, de todos os que a rodeavam, alguns foram os que a não desiludiram e tentaram mesmo dar-lhe o melhor que tinham e sabiam. Esse tempo todo foi o tempo que levou a compreender que a calma tinha de nascer em si e que a segurança não se empresta... Estava cercada de pessoas que tinham o seu melhor para com ela partilhar mas, um dia, sentiu-se totalmente sozinha e percebeu que nunca seria ela mesma se, em tudo, dependesse dos outros.

A chuva abrandava e o som macio das ondas daquele rio escuro fazia agora ouvir-se melhor. Deu um passo em frente e sentou-se no cais. Do bolso tirou uma fotografia que rasgou em ínfimos pedaços, o mais pequeno que conseguiu. Deixou-os ficar por instantes na palma da mão, numa pilha desordenada e um deles voou com o vento. Fechou a mão com força, fechou os olhos e, quando os abriu, com a cara encharcada, ninguém podia ter notado que os tinha cheios de lágrimas. Não deixou que nenhuma delas caísse; abriu a mão e atirou os pedaços de papel rasgado para a água. O vento e a corrente encarregar-se-iam do resto... Ela ia começar de novo.

 

 


01 Fevereiro 2009

Não sei quanto tempo passou desde que estou aqui sentada. O sol morre à minha frente e a falta de luz começa a dificultar-me a visão. As folhas em branco, pousadas no colo, quase brilham com os primeiros raios da noite e não escrevi uma só palavra. Fiz pequenos pontos, riscos e asteriscos com a caneta, fui brincando nas margens do papel como se não conseguisse levar a sério a vontade que tenho cá dentro. Sinto as palavras num rebuliço, agitadas a quererem sair para fora mas sem conseguirem encontrar a saída. Pelo menos não saiem de forma perceptível, não têm lógica e não conseguem desenhar aquilo que eu sinto e quero contar.

Deixei a caneta cair-me da mão uma dezena de vezes, quase desisti e tive vontade de rasgar o papel com força e fúria, como se resolvesse alguma coisa. Quando me sentei aqui quase podia sentir as ideias que trazia comigo, depois senti que me fugiam e que não se queriam mostrar...

Agora no céu já se notam uns quantos pontos de luz e do sol só resta um clarão traçado no horizonte, a desvanecer a cada segundo que passa. Se calhar deixo para amanhã; sento-me novamente aqui, com o sol ainda alto, e deixo a caneta dançar no papel até sentir algo que goste... Se calhar amanhã volto aqui.


31 Janeiro 2009

Isto podia ser tudo poesia, mas não é.

Podia ser tudo moldável e a vida podia encaixar cada detalhe na perfeição, tal e qual como as palavras que vão rimando em cada estrofe. Mas a vida não são só palavras e a perfeição só existe se conseguires ver a beleza de cada momento, admirando o bom e o mau como partes iguais e necessárias de algo tão complexo.

As coisas da vida não batem sempre certo. Há vontades diferentes, há caminhos que nunca se encontram e há pequenas coisas que nos fogem do controlo e que se deixam escapar, como areia entre os dedos... Está em jogo tanto mais do que aquilo que tu queres que nunca sabes se vais ganhar ou perder.

Não é perfeito mas consegues encontrar-lhe graça, se quiseres.

Se quiseres, jogas até ao fim da incerteza, mesmo não sabendo se ela tem um. Lanças os dados, acreditas na sorte, sorris à vida e depois choras por mais.

Podia ser fácil e ter regras; podia existir livro de instruções, mas assim nunca poderia ter o mesmo sabor...


20 Janeiro 2009

               Detesto finais, despedidas e promessas que se esvaem no tempo, perdem a beleza e deixam de ter um significado. As palavras só fazem sentido enquanto forem sentidas e se nunca o foram ou deixaram de o ser, passam a ser somente uma mistura estranha de letras sem mensagem que, só por si, nada querem dizer. Os fins são isso para mim; um amontoado de memórias, palavras e gestos que alguém, ou alguma circunstância, tornou inúteis. Não se vive plenamente pensando que tudo tem um fim. Pensar no fim termina algo que acabou de começar e mata à nascença o pequeno prazer que existe na incerteza…

            Porquê turvar a minha vida a recear o princípio do fim se não o consigo evitar se assim tiver de acontecer? Não quero perder tempo com coisas vãs. Quero viver sem medida até onde me seja possível. Quero que me queiram conhecer e deixar-me mostrar, desde as paixões aos medos, dos objectivos aos anseios. Não quero prever o fim de nada, não quero sequer pensar nisso. Quero viver o hoje e sentir o amanhã já perto mesmo sem saber o que me traz. Quero dizer o que sinto e não recear a despedida, se assim tiver de ser…

            A minha caixa de recordações vai-se enchendo com pedaços da minha vida, uns menos inteiros, outros mais felizes mas não deixo o fim chegar a elas porque são parte de mim e se um dia forem esquecidas será porque eu delas me esqueci. E por melhor que as guarde, por mais que me marquem, não as deixarei atrasar-me o passo; não deixarei fins anteriores tornarem-se num medo gigantesco de falhar e muito menos deixarei que as minhas experiências me tornem incapaz de gostar…

 

 


12 Janeiro 2009

Desconheço a forma de fazer tudo bem, sem nunca errar, sem ter medo e sem hesitar um instante sequer. Nunca desejei a perfeição e encontro graça nos percalços do meu percurso, na minha falta de jeito para lidar com quem mais gosto e na ansiedade com que tento aproveitar o hoje. Quero só sentir profundamente o que sinto a cada instante porque não sei o que sentirei a seguir, e se será melhor… Quero respirar fundo, trazer todo o meu corpo à superfície e aproveitar, um instante a seguir ao outro, a companhia de quem me quer assim.

Disse a Carolina às 21:50

29 Dezembro 2008

Quando me sinto perdida, às voltas com os meus pensamentos ou sem sequer saber o que sinto, agarro-me a uma música. Não sei porque o faço, é instintivo e não tenho a melhor explicação do mundo para isso, embora gostasse.

A  música não é o meu dom, na verdade nem sei se tenho um, mas as palavras sempre foram o meu escape e os meus ouvidos nunca estiveram, em momento algum, desligados do meu coração; talvez por isso certa e determinada música, num dado momento da minha vida, me sirva melhor de consolo do que qualquer outra coisa ou gesto.

Muitas vezes a música me deu colo. Muitas vezes me reconfortou mais deixar-me ficar perdida entre os sons do que aconchegada no colo de alguém que eu sabia não me entender.

E eu não percebo de música; para mim ritmo é só ritmo e acordes são só o que eu ouço e nada que eu possa ler... mas quando algo dentro de mim reconhece uma música, não preciso de mais nada, pelo menos por alguns instantes. Nesses instantes, antes de sentir falta de um par de braços que me aperte em si, sinto-me compreendida. Feliz.

Disse a Carolina às 00:41

27 Dezembro 2008

Quero contar a minha história num minuto. Quero que a minha vida escorra por estas palavras e que eu a sinta passar por mim outra vez, como se estivesse a viver tudo de novo, com a mesma intensidade e o mesmo sabor. Quero tudo num minuto, não me quero fartar... Quero querer mais.

Mas um minuto não chega para nada e eu sei disso; sei que se esgota num sopro e que ficarão coisas por contar...

...mas quero que me conheças e que não te canses de mim. Um minuto seria perfeito para perceber se tenho na mão a hipótese de te conquistar.


Queres conhecer as minhas manias, as minhas histórias e truques?

Queres que me descomplique? Dás-me um minuto ou mais?

Eu quero conhecer-te.


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